Ele aparece quando o tempo esta chuvoso e frio. Fique sempre alerta
É cada vez maior o número de caramujos africanos
no Rio de Janeiro. A Zona Oeste é a área mais
atingida. Reconhecida internacionalmente como uma das 100
espécies invasoras mais perigosas, a praga chegou
à Zona Sul no início de 2007. Apesar dos
esforços do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, a
colaboração da população
para o combate se tornou fundamental.
Provocam meningite
Eles provocam doenças em humanos e em alguns
animais; contaminam o solo e a água; devastam
plantações, hortas e jardins. Podem transmitir
vermes que causam doenças neurológicas, como a
meningite eosinofílica, embora dessa não tenha
havido ainda registro no Brasil. Mas também pode passar aos
humanos o causador da angiostrongilíase abdominal,
doença fatal que ataca os intestinos
(perfuração e hemorragia interna) e da qual
há centenas de casos registrados no país.
Alternativa ao escargot
Diante disso, é surpreendente acreditar que
chegaram ao Brasil, por volta de 1988, trazidos do Leste-Nordeste da
África como uma alternativa para se substitutir o escargot
na culinária. Afinal, eles podem chegar a 15
centímetros de comprimento e 200 gramas de peso. Cada um
equivale à meia dúzia de scargots. Só
que o que era para ser uma solução virou uma dor
de cabeça, pois os consumidores não apreciaram o
sabor, a textura e o aspecto da carne.
Os caramujos então continuavam a se multiplicar
rapidamente e a dar gastos aos seus proprietários. Sem
acasalamento, segundo a Defesa Civil Municipal, cada um bota 1.200 ovos
por ano. Acasalados o número dobra. Foi aí que os
criadores começaram a se livrar de maneira inadequada dos
bichos, soltando-os em rios, matas, terrenos baldios ou mesmo
colocando-os no lixo.
Da Bahia a Santa Catarina já fizeram casa em 15
estados. Viajam nos trens, na carga dos caminhões, onde
conseguirem subir. Um dos estados com maior
infestação é São Paulo.
Erradicação
impossível
Segundo o Ibama, infelizmente, hoje em dia, é
praticamente impossível erradicar o caramujo africano no
Brasil porque são seres hermafroditas - que se reproduzem
espontaneamente - e que se adaptam facilmente a
condições climáticas adversas. Embora
existam animais da nossa fauna que possam ser seus predadores (alguns
mamíferos e aves), a predação
não é suficiente.
Controle
Como não existe inseticida ou método de
eliminá-los em grande número sem danos para o
meio ambiente, a solução agora é o
controle por parte da população. A primeira
medida é identificar o caramujo africano. O jeito mais
seguro é observando a sua concha. Ela é de cor
marrom-escuro, com listras esbranquiçadas desiguais, um
pouco em zigue-zague.
Os caramujos em geral gostam de locais úmidos e
sombreados. Por isso, ao iniciar a busca do caramujo africano em seu
quintal, verifique bem os cantos dos muros, as paredes onde
não bate muita luz e os lugares em que possa haver
acúmulo de galhos, restos de poda, folhas, madeiras, etc.
Também são locais muito propícios os
restos de construção, entulhos e, em especial, os
tijolos furados.
Fogo, sal, terra, sabão
Os animais devem ser catados (um a um) com mãos
enluvadas ou protegidas por mais de um saco plástico; depois
de reunidos podem ser incinerados ou jogados em algum recipiente com
água e bastante sal (nesse último caso,
dissolvem-se); morto o caramujo, as conchas não
deverão restar inteiras, para evitar que juntem
água da chuva, na qual o mosquito da dengue
poderá depositar ovos.
O Ibama recomenda fervê-los durante 50 minutos ou
então enterrá-los mortos e dentro de sacos em
valas de 80 centímetros, jogando cal virgem em cima dos
caramujos. Depois cubra a vala com terra. Vale lembrar que essas valas
devem estar distantes de poços ou cisternas.
Para evitar que os caramujos africanos presentes em
propriedades vizinhas cheguem ao seu terreno, prepare uma mistura de
sabão em pó e água, formando uma calda
forte, e espalhe sobre o muro. Refaça esse procedimento a
cada três semanas ou após cada chuva.
Outra forma de prevenção é
observar se as folhas e frutos estão inteiros, ou seja, se
não foram comidos por caramujos. Verduras, frutas e legumes
devem sempre ser mergulhados em uma mistura contendo uma colher (sopa)
de água sanitária para um litro de
água, durante trinta minutos. Enxágüe
muito bem antes de comer. Despreze sempre os vegetais que tiveram
contato com os caramujos.
Outros países também
enfrentam problemas
Nos EUA, o caramujo africano foi introduzido no
Havaí, em 1939, chegou à Califórnia no
final da II Guerra Mundial e alcançou a Flórida,
no início da década de 70. Também
está presente na Austrália, na Índia e
em países do sudeste asiático.
Inúmeros esforços, sem sucesso, têm
sido feitos nesses países para controlar e erradicar esse
molusco das áreas invadidas.
A quem pedir ajuda?
Apesar de todos os problemas, tudo o que o poder
público promoveu para defender o carioca foi uma parceria
entre a Defesa Civil e os supermercados, para produzir folhetos que
ensinem a população a lidar com o molusco.
Algumas campanhas de combate também são
realizadas pela cidade com ajuda do caramujomóvel
(veículo que recolhe os animais), mas ainda são
insuficientes. As atenções ainda se voltam mais
para o cambate à dengue.
Mesmo assim, em
caso de dúvidas e emergências, o Corpo de
Bombeiros e a Defesa Civil possuem profissionais capacitados para lidar
com os caramujos. Os órgãos podem ser acionados
pelos telefones 193 e 199, respectivamente.
FONTE :Camila Ruback, Xico Vargas, Ibama e Defesa Civil -
http://odia.terra.com.br/rio/htm/geral_77336.asp *** FOTO :
Reproducão